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“Salmos 119: 175 Permite-me viver para que eu te louve; e que as tuas ordenanças me sustentem.

Não é fácil adorar quando se está passando pelo vale de ossos secos.

O vale é um lugar de dor, de sofrimento, porém à medida que caminhamos descobrimos que o vale é passageiro e não é um estado permanente, a não ser que paremos nele.

Muitas vezes, olho para dentro de mim e me vejo contemplando coisas do passado, experiências outrora vividas.

Diz o ditado popular que reviver o passado é sofrer duas vezes. No meu entendimento, alguns sentimentos, quando revividos, nos levam á gratidão. É uma dessas fases que quero compartilhar aqui.

Um dia tive um sonho. Nele, eu estava em um cemitério e contemplava duas sepulturas. O lugar estava em cinzas, tudo parecia completamente queimado e somente as duas sepulturas estavam brancas e limpas. No sonho, alguém me dizia uma data e me falava sobre o dia de finados. Essa data era aproximadamente princípio de ano e fim de mês. Em algum momento eu vi minha mãe… em outros momentos eu vi algumas pessoas da minha família. Em um momento, no sonho, eu disse para meu irmão: “Você está vendo esse lugar aqui todo queimado? É o que a Bíblia chama de vale dos ossos secos, um lugar de dor, mas que passa! Nada é para sempre!”.

Claro que eu resumi esse sonho, pois algumas coisas são detalhes espirituais que somente eu entendo, pois foi um tratamento de Deus para mim. Bem, posto o sonho, vamos à experiência.

Eu morava em um estado e minha mãe morava com uma irmã, em outro. Minha mãe era uma mulher ativa, trabalhava fora e amava isso. Ela era uma pessoa sadia, não estava com nenhum problema de saúde aparente. Todos os dias eu ligava para ela e nos falávamos com frequência. Em certo dia, porém, quando eu liguei, ela estava chorando e disse que achava que estava com depressão. Conversamos um pouco e eu a lembrei de que suas férias estavam próximas e que logo estaríamos juntas e essa depressão ia passar.

No outro dia quando liguei quem atendeu ao telefone foi minha irmã, e me disse que nossa mãe não parecia bem, seus pés estavam muito inchados e que ia levá-la ao médico. Fiquei preocupada, mas não tinha muito o que fazer a não ser aguardar até saber o laudo médico.

Dois dias depois, ela estava piorando e tivemos que interná-la. O laudo médico informava um  tumor cerebral em alto grau*. Quando cheguei onde ela morava, uma semana depois do primeiro telefonema, ela havia sido internada já em estado de pré-coma.

Os dois meses seguinte foram os meses que passei pelo vale.

Minha mãe definhava. A olhos vistos o tumor ia avançando e não podíamos fazer nada além de esperar. Eu passava as noites e os dias no hospital, somente sentada ao lado dela, vendo o tumor avançar. Ela em coma irreversível, as convulsões fazendo seu corpo sofrer, e eu ali, impotente.

Ás vezes eu ia para o estacionamento do hospital e falava com Deus, contava para Ele o quanto estava doendo, o quanto estava difícil passar por tudo aquilo. E nesses momentos eu não conseguia ouvir a voz do Senhor, parecia que Ele estava mudo… Eu chorava desesperada por uma resposta, e nada ouvia… O amado Espírito Santo estava comigo, eu sei, mas eu não conseguia sentir Sua presença. Eu estava no vale!

À medida que minha mãe piorava meu corpo também sentia. Eu não conseguia comer, me alimentar era complicado, eu comia somente pequenas porções de arroz. Como resultado, em dois meses eu já pesava apenas 34 KG. A médica que acompanhava minha mãe disse que eu não poderia ficar mais tempo no hospital por estar muito fraca. Então resolvi passar a noite em casa. Deitei no sofá e esperei o dia clarear. Às seis da manhã eu estava entrando no estacionamento do hospital e involuntariamente fiz uma oração: “Pai, me prepara para ver minha mãe entrar em Tua glória.”.

Quando eu cheguei ao leito onde ela estava, dei um beijo e bom dia (mesmo sabendo que ela não ia responder, eu fazia isso todos os dias). Ela respirou três vezes e partiu. Como um passarinho que sai da gaiola, ela partiu. Assim, suave…

Durante todo o tempo em que estava no vale, que foram dois meses, eu não conseguia falar com o Senhor adequadamente, eu somente ia para o estacionamento do hospital e dizia para o Senhor o quanto a dor estava me afligindo e que eu sabia que tinha que adorá-lo até mesmo no vale. E eu o adorava. Dizia para o Senhor que estava difícil, mas que eu gostaria muito que Ele recebesse minha adoração. Falha adoração, sofrida adoração. Adoração em meio às lágrimas. Adoração em meio à dor. Adoração no vale de ossos secos. Eu nem sabia se podia chamar essa oração de adoração, eu só sabia que Deus estava fazendo o melhor por mim, de alguma forma essa dor ia servir para engrandecer o Seu precioso nome.

É o que Ele espera de nós, que o adoremos com o melhor que temos, mesmo em meio à dor.

Nessas horas podemos não ouvir, não sentir ou não ver o agir do Senhor, mas Ele está lá. E se tivermos fé para crer que Ele cuida de nós, o sobrenatural simplesmente acontece!

Somente depois de algum tempo após o sepultamento, eu fui entender o significado do sonho. O Senhor estava me dizendo: Prepare-se para o vale!

Ele me capacitou e me deu forçar para passar pelo vale. Minha mãe partiu para o Senhor no dia 30/04/2000 (princípio de ano/ fim de mês).

Depois do sepultamento o vale dentro de mim estava mais profundo e a saída dele foi gradual e lenta, mas enfim, hoje posso dizer que passei pelo vale dando glória à Deus. Isso não faz de mim uma pessoa especial. Aquela foi a maneira que encontrei para ter forças em meio à luta.

Sinto que minha fé foi testada, e sinto que fui aprovada!

Após duas semanas, e ainda caminhando em direção a saída do vale, o Senhor abriu o Seu grande cofre, tirou de lá uma joia valiosa e ordenou que um anjo me entregasse. E essa joia é para mim, a prova do grande amor de Deus por minha vida, é a prova de que passei pela luta e o Senhor me fez vitoriosa (mas isso é outro testemunho de fé).

Assim, concluo dizendo e afirmando que é possível passar pela dor cantando louvores. Não, não é fácil, mas a recompensa vale a pena.

Se você está passando por um vale nesse momento, eu te aconselho: Busque sentir o calor do Senhor e se permita chorar nos Seus braços. Creia somente e Ele te dará forças para ultrapassar esse momento.

http://www.youtube.com/watch?v=bDNuZBvwEyQ

 Por Rosimeire Leite

* O Glioblastoma, conhecido como Glioblastoma Multiforme, é o tipo de Astrocitoma (Tumor) de crescimento mais rápido, que se espalha rapidamente, invadindo o tecido normal do cérebro e contém áreas de células mortas no centro do tumor. Até o presente não existe cura para este tipo de tumor. O tempo de sobrevida média a partir do diagnóstico em pacientes sem tratamento é de 3 meses, mas com tratamento a sobrevida de 1-2 anos é comum.

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